Arquivo mensal: julho 2008

Existe Vida pós-Batman (eu acho) – Parte I

Há um certo desinteresse de algumas pessoas pelo resto do ano após o filme de Christopher Nolan do cruzado de capa. Então, resolvi dar uma olhada no que está por vir. Apesar de todos não serem tão aguardados quanto “O Cavaleiro das Trevas”, todos merecem uma espiada.

A Múmia – A Tumba do Dragão Imperador (The Mummy – Tomb of the Dragon Emperor)

O quê? Continuação da aventura “O Retorno da Múmia”, de 2001. Sai Rachel Weisz, parceira de Fraser nas duas primeiras fitas, entra Maria Bello (“Marcas da Violência”). Sai Egito, entra China e um Jet Li estreando na franquia.

Quando? 1º de agosto

Por que assistir? Porque Brendan Fraser é gente boa.

Por que não assistir? Porque Brendan Fraser é gente boa.

O Procurado (Wanted)

O quê? A velha história de um inexperiente jovem se descobrindo filho de alguém muito importante e dotado de talentos até então desconhecidos.

Quando? 22 de agosto

Por que assistir? Angelina Jolie em interessante adaptação de HQ.

Por que não assitir? Porque “O Cavaleiro das Trevas” também é adaptação de HQ.

Hellboy – O Exército Dourado (Hellboy – The Golden Army)

O quê? Continuação do longa de 2004. Filho do próprio demônio ajuda humanos na batalha contra o mal. Dessa vez, ele precisa evitar o renascimento de um exército invencível liderado pelo vilão Príncipe. Adaptação de HQ.

Quando? 5 de setembro

Por que assistir? Guillermo Del Toro não fez besteira

Por que não assister? Guilhermo Del Toro não fez nenhuma besteira

Quase Irmãos (Step Brothers)

O quê? Dois marmanjos são obrigados a conviver um com outro, quando seus pais se conhecem e se casam.

Quando? 19 de setembro

Por que assistir? Porque Will Ferrell é muito besta

Por que não assistir? Porque Will Ferrell é muito besta

Ensaio Sobre a Cegueira (Blindness)

O quê? Adaptação de livro homônimo ganhador do Nobel de Literatura, “Ensaio Sobre a Cegueira” mostra o mundo sob uma terrível epidemia de cegueira “branca”. Apenas uma mulher (Julianne Moore) é capaz de enxergar.

Quando? 26 de setembro

Por que assistir? É Fernando Meirelles

Por que não assistir? Adaptação de Saramago

Mês que vem tem mais.

Abraço,

Fagner Franco

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Trailer de “Watchmen” Online

Mal acabou minha ansiedade por “Batman” e a revista Empire lança em seu site o trailer da adaptação da “Bíblia” dos quadrinhos, “Watchmen“, de Alan Moore.

“Watchmen” se trata de uma conspiração envolvendo a morte de super-heróis, após o governo americano obrigar a todos eles a se desmascararem. Moore mostra como seria o mundo se os EUA houvessem vencido a guerra do Vietnã e a problemática do “quem vigia os vigilantes”. Mais que uma simples história em quadrinhos, a série trata de diversos temas, da natureza humana ao modo como a cultura popular enxerga tais heróis e o quê eles realmente representam.

Dirigido por Zack Snyder, o ousado diretor de “300”, o longa chega aos cinemas apenas no ano que vem, em março. Segundo o próprio Znyder, a fita terá mais de três horas de duração, para manter o máximo de fidelidade à obra original. Mesmo com todos os esforços, o criador Moore pediu que tirasse seu nome dos créditos, deixando todo o dinheiro, quanto aos direitos de adaptação, para Dave Gibbons, desenhista de “Watchmen”.

O trailer você encontra no link abaixo ou no bom e velho YouTube.com. Segue também, página oficial do filme.

http://www.empireonline.com/video/watchmen/

http://watchmenmovie.warnerbros.com/

The Opening “Knight”

“And here we go!”. Heath Ledger, na mais perfeita encarnação do Coringa, pronuncia a frase no último ato de “Batman – O Cavaleiro das Trevas”. E com as mesmas palavras e com este filme inauguro o blog. Nada mais óbvio e justo, a adaptação do meu super-herói favorito é o melhor longa do ano e eleva o nível do termo “filme de super-herói” a um grau altíssimo em todos os sentidos.

Poucas produções criaram tanta ansiedade em seus fãs. Desde o anúncio de um segundo longa dirigido por Christopher Nolan (“O Grande Truque”) sobre o homem-morcego, os cinéfilos de plantão acompanharam por meio de sites, revistas e noticiários qualquer novidade sobre a película. Para aumentar ainda mais a expectativa, a Warner criou uma das maiores campanhas de marketing de todos os tempos, com direito a sites virais e interatividade com fãs nunca vista antes.

Felizmente, qualquer expectativa, por maior que seja, será superada. “O Cavaleiro das Trevas” merece todos os elogios arrancados nas últimas semanas, desde sua primeira exibição. Não é um simples filme de super-herói, é um drama policial com todas as letras, com direito a violência (nenhuma gratuita), corrupção, vilões psicóticos e metáforas de primeira em todos os seus (nada extensos) 142 minutos. Tamanha sua grandeza, é injusto colocar a fita ao lado de outros heróis, como Homem-Aranha, X-Men ou mesmo o recente Homem de Ferro. Como já foi dito, seria mais certo colocá-lo junto à outros grandes filmes como “Fogo Contra Fogo” (o próprio diretor assumiu a inspiração), “Seven” e “Clube da Luta”. Já com “O Poderoso Chefão”, o filme de Nolan se assemelha apenas no envolvimento da máfia em uma das (muitas e bem construídas) subtramas.

Como havia sido avisado ao fim do primeiro filme, Batman (Christian Bale) agora enfrenta o seu arquiinimigo Coringa. No lugar do “palhaço” representado por Jack Nicholson, o Coringa de Ledger prega a anarquia e o caos. O palhaço do crime agora não quer dinheiro ou dominar o mundo, apenas implanta o medo, a desordem e tenta provar a teoria de que qualquer um, mesmo o mais íntegro, sob pressão pode se perverter (fragmentos da HQ de Alan Moore, “A Piada Mortal”). Do outro lado, está Harvey Dent, representando o lado da lei tal qual o Cruzado de Capa. Sua incorruptibilidade é tão grande que o próprio homem-morcego aposta no corajoso promotor público todas as suas moedas, quando percebe ser possível combater o crime sem ter de se mascarar para isso.

Escrito por Nolan e seu irmão Jonathan, a partir da história do primeiro junto com David Goyer, o roteiro não perde força nem em suas inúmeras subtramas. Nada é de graça, tudo está em seu lugar. Até a investida discreta e bem sucedida no drama familiar de Gordon (Gary Oldman, excelente), ou na paixão de infância de Wayne, na corrupção policial e no namoro de Dent. Como havia acontecido em “Batman Begins”, Nolan mantém a incrível sensação de realidade. É incrível o realismo das cenas de ação, dos personagens e suas vulnerabilidades, da direção de arte (note o escritório de Dent) e até da armadura do herói (mesmo para sua melhoria, é apresentado um bom motivo).

Esse realismo não seria nada, não fosse o elenco perfeito. Bale, ao contrário de Michael Keaton (que sumiu perante Nicholson, no filme de Tim Burton), consegue surpreender, seja como o herói, o playboy Bruce Wayne, o apaixonado por Rachel Dawes ou o amigo de Alfred e Lucius Fox (os ótimos Michael Caine e Morgan Freeman voltam aos seus papéis). O corajoso e trágico Dent é interpretado com a emoção pontual de Aaron Eckhart (“Obrigado por Fumar”). Seu drama até se tornar o vilão Duas-Caras é a força motriz da película. E Ledger, encontrado morto em janeiro, cria um dos melhores vilões do cinema. Ele traz medo desde sua aparição (impressionante, na primeira cena do filme), passando pelo já clássico interrogatório com o Batman até o clímax do filme. Mesmo na sua ausência, causa temor por não se saber onde está e o que está planejando. Triste fim para um ator tão novo (28 anos) que, no seu auge, teve a carreira encerrada de maneira tão trágica.

Nunca mais, depois de “Batman – O Caveleiro das Trevas”, as adaptações de quadrinhos serão iguais. Dificilmente, outra produção do estilo chegará à altura da perfeição deste realista e completo longa. Impecável. Nolan constrói um épico sobre a natureza humana, sobre a maldade e seus limites, sobre a bondade e seus limites, sobre a verdade, sobre preço da verdade, sobre aquilo que não tem preço, sobre preconceito (é possível enxergar vestígios do 11 de setembro), enfim, sobre as escolhas e suas conseqüências.