Arquivo mensal: junho 2009

Como se Livrar de um LG (ou Como Ser Assaltado e Sair no Lucro)

Há exatos 9 meses, comprei um celular. Como estava com o nome “sujo”, tive que usar o nome de minha querida esposa. Pegamos o plano 70 minutos (mais tarde, eu mudaria para o de 90) e, como bônus, paguei incríveis R$5. Surpreso fiquei quando, dias após a compra, descobri que o valor pago havia sido muito alto; o aparelho foi a pior coisa que me aconteceu. Só para constar é um LG, modelo KM380.

Alguns meses atrás, fui na Claro – que, como as outras operadoras, também é um lixo – e descobri que dia 30 de junho (hoje), após nove meses de celular, poderia trocar de aparelho com aquele desconto do plano, sabe? Mas estava com um problema: o que faria com este celular que “sobraria” em minhas mãos? Passar para Tati, minha mulher? De jeito nenhum. E nem a qualquer amigo. Nem colocaria no Mercado Livre, correndo o risco do cara descobrir o pepino que comprou e me entregar a polícia.

Pra minha felicidade, ontem, um dia antes da troca do celular, fui assaltado – pela primeira vez na vida.

– Parado aí, moleque! Não grita, não faça nada.

Ouvi do nada. Era um rapaz mulato, de boné e jaqueta, que só pode ter saído da parede, próximo ao restaurante Gaia na Vila Olímpia. Cheguei a esboçar 2/3 de um sorriso, pensando que era um amigo do trabalho que havia saído minutos antes. No último terço, percebi o que estava acontecendo e voltei o meu rosto a sua feição mais tranqüila possível. Principalmente, quando vi que o moço parecia nervoso e portava uma arma ou algo bem parecido – não era o momento mais oportuno para tirar esta dúvida. Ladrão inexperiente e nervoso + arma + “cliente” também nervoso = merda.

– Calma, calma. O que você quer?
– Me passa a mochila com o notebook!

Como se toda mochila, por default, tivesse um notebook. Retirei minha mochila das costas e entreguei em suas mãos.

– Só tem livro e agenda aí dentro, cara, pode abrir.
– Não quero abrir.

Apressado, apalpou o objeto e, pra minha felicidade, me devolveu. Lá estava um recém-comprado “Nova York – A Vida na Grande Cidade”, de Will Eisner. Apesar de estar comigo e ser meu, é um presente que meu irmão me dará.

– É…é… (sim, ele gaguejou) então, me passa o celular!
– Claro.

Neste momento, me toquei do momento que havia vacilado. No caminho, minutos antes, estava tentando colocar uma música pra ouvir de volta pra casa. “Tentando”, porque o péssimo aparelho, para ler o meu cartão de memória, demorava aproximadamente 5 desligadas, 2 tapas e um Ave Maria. Não havia conseguido colocar a música, mas mantive o fone nos meus ouvidos, só pra atender ligações mesmo. Retirei o cabo do fone e entreguei ao corinthiano.

– Poderia devolver o chip? Dá um trabalho recuperar número de telefone.
– Ok…

E, milagrosamente, me entregou o chip.

– Ah, e o fone!
– Que fone? (Juro que não me lembrei de estar com o fone nos ouvidos)…Ah, claro!

Entreguei o fone.

– Volta calado, não chama a polícia, nem nada. Se não te mato.

Quase digo “Ué?! Acabou? Só isso? Estou com uma carteira no meu bolso, com cartão de crédito e um pouco de dinheiro, certeza?“, mas respondi apenas com um “claro” e fui andando para o trem, quando notei que o cara também ia para o mesmo rumo. Achei melhor comentar…

– Estou indo para o trem, tudo bem?
– Então, é melhor voltar, só não chame ninguém.
– Não se preocupe. Vou dar a volta pela Gomes (de Carvalho), tudo bem?
– Pode ir.

E nos separamos, pensei em dar um abraço ou aperto de mão, mas seria demais. Até coloquei a mão no meu coração pra ver se estava acelerado, mas estava bem calmo. Afinal, numa cidade que é famosa por assaltos mais violentos, me saí bem. E, acreditem, não aumentei em nada esta história. Nem mesmo nos diálogos, os mais esdrúxulos do mundo – levando em consideração que era uma conversa entre assaltante (com uma leve tendência para amigo) e vítima.

Ah, “Perdas e Danos”…

Prejuízo:

Materiais
Celular: R$5 (que estou indo pegar outro novo, de graça, na Claro do Shopping Morumbi)
Cartão MicroSD de 4GB: R$36 (comprei em Manaus, na última vez que fui lá)

Sentimentais
Algumas boas músicas: fácil de recuperar. Tenho todas no meu computador.
Contatos dos amigos: chato de recuperar.
Fotos da Sofia: isso, sim, talvez o único fator realmente negativo desta transação. Mas foram poucas fotos, porque fiz backup semana passada de algumas delas.

Lucro:

Sentimentais, apenas
Celular: após meses a fio de stress, me livrei do abacaxi (valor impossível de calcular).
Eu, conhecido por ser azarado, me descobri sortudo.
Esse ladrão pegou um pepino que ele não faz ideia.

Saldo claramente POSITIVO.

Abraço,
Fagner “lucky bastard” Franco

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Inimigos Públicos de Michael Mann

Inimigos Públicos

Nem estreou e “Inimigos Públicos” já está com a moral lá em cima. Ao menos para os leitores do IMDB, maior site de cinema do mundo (e, para alguns, o mais confiável), onde sua avaliação passa dos 9,0. Mas isso já era esperado, afinal o responsável pela direção e, também, por uma parte do roteiro é Michael Mann (“O Informante” e “Collateral”), um dos maiores diretores da atualidade.

E o cineasta que já dirigiu Robert De Niro e Al Pacino no excelente “Fogo Contra Fogo” continua apostando em grandes atores para contar suas histórias. Desta vez, Johnny Depp e Christian Bale encabeçam um elenco que, por si só, já atrairá um grande público. Baseado em acontecimentos reais, Depp é John Dillinger, um dos maiores criminosos da história dos EUA, atraiu a atenção da imprensa pela rapidez de seus assaltos a bancos e pelo número de vezes que fugiu da polícia. O FBI, então, escala Melvin Purvis (Bale) para capturar, definitivamente, Dillinger.

Completam o elenco a bela Marion Cotillard (“Piaf – Um Hino ao Amor”), Channing Tatum (você o verá na versão para o cinema de “G.I. Joe”), Giovanni Ribisi (“Cold Mountain”) e Billy Crudup (“Watchmen”). O filme chega aos cinemas americanos no próximo fim de semana e aqui no Brasil, só no dia 24 de julho.

Impossível não ficar ansioso por um longa como este. História aparentemente animal, grande diretor, ótimo elenco. Aconselho acessar o site da Apple e conferir a versão internacional do trailer. Awesome! Visto o trailer, acrescento alguns elementos: bela fotografia e uma trilha sonora animal.

Mudança na Academia: 10 indicados para melhor filme

Inaugurando a tag “Rapidinha”…

O presidente da Academia, Sid Ganis anunciou esta manhã uma mudança importante nas próximas edições do Oscar: 10 indicações para melhor filme. Leia, na língua original, o press release bem aqui.

Pra mim, é uma boa notícia. Por dois aspectos, principalmente: a) Brasil e outros países menores com bons filmes terão mais chances de aparecer no prêmio principal e b) o número maior de filmes independentes entre os indicados.

Ana Maria Bahiana (UOL Cinema) fez um belo comentário: neste ano, até agora bem fraquinho, teremos 10 indicáveis?

É isso.

Primeiras Imagens: Alice by Tim Burton

timburtonsalice

Há alguns meses, saiu na Internet a primeira imagem (concepção) de Johnny Depp como o Chapeleiro Louco. Agora, além desta, agora como fotografia, o USA Today divulga mais 5 imagens do País das Maravilhas na visão do insano Tim Burton.

Ao que parece, Burton continua investindo pesado na direção de arte, mesmo que grande parte com a ajuda do computador. Depp quase desaparece na maquiagem do Chapeleiro Louco. A Rainha Rubra da Sra. Burton Helena Bonhan Carter (“Exterminador do Futuro: A Salvação”) deverá assustar como a rainha que domina o País. A Rainha Branca da bela Anne Hathaway está bem… branca….

O filme será lançado em 3D (tomara que melhorem o conforto dos óculos até lá) e chega por aqui em Abril do ano que vem, segundo o IMDB. Diferente do que dizem por aí, o jornal disse que não será uma versão da história que já conhecemos, mas uma continuação. Alice (a novata australiana Mia Wasikowska), agora com 17 anos, voltará à terra fugindo de um casamento arranjado – tudo isso, sem memória de sua aventura anterior.

Wonderland

Wonderland2

FatBoys

Novo Pôster de Bastardos Inglórios, de Quentin Tarantino

Inglourious BastErds
Mais um cartaz do novo filme de Quentin Tarantino. Dois anos após seu último filme, “À Prova de Morte”, o diretor lança sua versão da Segunda Guerra Mundial. Não fugindo do seu estilo violento, o longa mostra uma sangrenta história de um grupo judeu-americano, conhecido como “bastardos”, que é escolhido para espalhar o medo e assassinar todo e qualquer nazista que aparecer em sua frente.

Bem louca essa história. Chega aos cinemas brazucas em Outubro. Brad Pitt, Eli Roth (diretor de “O Albergue”) e a bela Diane Kruger estão no elenco.

Duplicidade (Duplicity, 2009)

DuplicidadeApesar da pretensão do título do post, que lembra aquelas críticas sérias, vou apenas contar minhas impressões sobre “Duplicidade”, sessão que peguei ontem às 22h, no Cinemark Villa Lobos.

Ao ponderar sobre assistir ou não a este filme, pensei em algumas questões. Primeiro ponto positivo: Clive Owen. Não, não o acho a melhor descoberta do cinema mundial, mas sua presença no elenco é um motivo justo pra pagar o ingresso, desde o pouco reconhecido “Filhos da Esperança”, excelente ficção de 2006. Claro, já havia gostado do ator em “Closer – Perto Demais”, mas no filme do mexicano Alfonso Cuarón é que Owen provou que era também ator sério e que aguentava um longa nas costas. Segundo: Tony Gilroy. Nem tanto pelo correto “Conduta de Risco”, sua estreia na direção, mais pela série Bourne, a qual escreveu os três capítulos, e ajudou a criar os melhores “filmes de espião” dos últimos anos.

Agora, a pedra no meio do caminho: Julia Roberts. A atriz que estranhamente ganhou o Oscar por “Erin Brockovich” (ou se esqueceram que Ellen Burstyn disputava pela performance em “Réquiem Para um Sonho”?) não emplacava um sucesso há alguns anos. A série “X Homens e X Segredos” não vale, porque é uma ponta cedida pelo amigo Steven Soderbergh. Mas o não sucesso dos seus filmes não é um motivo justo, pois isso acontece com gente boa também. O que é complicado é a escolha por papéis nada interessantes e interpretações que não convencem nem a adolescente mais inocente. Por ser único contra, venceram os pontos positivos, aos quais acrescentei as pontas de Paul Giamatti e Tom Wilkinson, que também estava na estreia de Gilroy na direção.

Dois espiões de diferentes agências, Stenwick, a aparentemente certinha, e Ray, o malandro, deixam de lado a rivalidade e juntam as forças para lucrar com uma guerra eminente entre duas empresas rivais. Obviamente, os dois se apaixonam e, claro, nem tudo sai como deveria, mas o que torna o longa interessante é justamente a brincadeira com todas as fitas de espionagem do cinema americano.

Owen não precisa se esforçar para trazer certo charme ao espião da MI6 que, logo no início, se engana com a beleza de Stenwick (Julia) e acaba entrega informações sigilosas a disfarçada agente da CIA. Julia, apesar de alguns deslizes, principalmente nas cenas mais “sensíveis” (falar mais entregaria alguns detalhes), não compromete a fita. Em alguns momentos pode até arrancar um sorriso do seu rosto. Como era de se esperar, as pontas de Wilkinson e Giamatti soam mais caricatas, o que, neste caso, torna a história mais engraçada. Você nota isso nos créditos iniciais.

Misturando as famosas tramas complexas dos filmes de espionagem, com direito a muitos flashbacks (o que confundirá alguns mais desatentos), e o tom cômico, Tony Gilroy faz o dever de casa e deve continuar atrás das câmeras por um bom tempo. É fato que o artifício da tela dividida em vários quadros passa um pouco do limite, mas também mostra o ar despretensioso que percorre os 125 minutos da película. Sempre brincando com a duplicidade, tanto com o casal central (você não sabe quem brinca com quem), quanto nos diálogos de personagens secundários, Gilroy prova, novamente, seu valor como roteirista.

Atualização no Cinema Franco

Acabo de pagar a anuidade do domínio CinemaFranco. Engraçado um Zé Ninguém ter coragem de pagar isso. Resolvi renovar sentindo aquela ponta de esperança de um dia poder dedicar um tempo decente pra o CF a ponto de divulgar mais este weblog, ao menos aos meus amigos (próximos, provavelmente).

Na verdade, a minha vontade, por mais utópica e inocente que pareça, é que isso aqui seja útil de alguma maneira algum dia – claro, no âmbito cinema, principalmente. Também quero fazer jus ao nome do site e poder ser um pouco mais sincero e menos político por aqui, até porque essa é a graça – e uma das poucas vantagens – desse pseudo-zoado-jornalismo, comum aos blogs no mundo afora.

Bom, esse é o post mais inútil da história da Internet, mas é só pra mostrar ao Gasparzinho, leitor único do blog, que ainda há esperança.

Um grande abraço.