Arquivo mensal: março 2010

Vem aí: Burke and Hare

Diferente de outros blogs ou sites que têm como tema principal o cinema, não uso o blog para atualizações de inúmeros filmes – mesmo se fosse a intenção, me faltaria tempo. Aqui, busco apresentar os projetos que mais me interessam. É o caso de “Burk and Hare”, que só soube a respeito nesta manhã, no site especializado Collider.

Na verdade, não foi o filme que mais me chamou a atenção. Apesar de ter uma sinopse interessante, foi a foto de Simon Pegg que me fez parar pra ler a matéria. O comediante inglês que esteve nos geniais “Todo Mundo Quase Morto” e “Chumbo Grosso”, entre outros acertos, é engraçado sem pronunciar uma palavra – aliás, sério ele é engraçado.

Pegg e Andy Serkis (mais conhecido como o responsável pelos movimentos de King Kong e Gollum) são Burk e Hare. Depois de mais um empreendimento que não deu certo, a dupla volta para Edimburgo, num alojamento de Hare. Quando um inquilino, misteriosamente, morre no dia do aluguel, descobrem que cadáveres podem ter um preço – e alto, afinal, a cidade é o centro de medicina do mundo e todos os médicos precisam de um corpo para suas aulas. Não demora muito para “acidentes mortais” começarem a acontecer na pequena cidade.

Obviamente, uma comédia de humor negro, o roteiro é baseado na história verdadeira dos dois assassinos. A fita será comandada por John Landis, diretor “Um Lobisomem Americano em Londres” e também de diversos clipes, incluindo “Thriller”, de Michael Jackson. Ainda não foi divulgada a data de lançamento. Curiosamente, há um longa homônimo de 1972. Não sei, no entanto, se a versão 2010 é uma refilmagem ou um reboot.

Abaixo, a primeira imagem da dupla Pegg e Serkis caracterizados como a dupla do título, divulgada pela Empire Magazine. Clique na imagem para melhor visualização.

Fontes no texto.

Preocupação de Pai

É constante a preocupação com a educação do filho na vida dos pais. E comigo, apesar de novato no ramo, não é diferente. Cada criança que vejo na rua, fazendo certo ou errado, já começo a imaginar o que devo fazer para chegar àquele nível, quando correto, ou não, quando ruim. Leio livros e revistas, vejo exemplos, analiso minha vida, o que considero ser importante repassar aos meus filhos etc. Tudo isso para tentar achar a minha receita de filho bem educado. A educação, sabemos, é um assunto muito subjetivo e muita coisa foge do controle dos pais, mas vou me ater ao ponto que mais tenho pensado nos últimos dias.

Semana passada, num dos problemas técnicos da CPTM, estava na estação Santo Amaro e a plataforma se encontrava lotada de tal maneira que na escada já era difícil trafegar. Como me acostumei com a situação, a ponto de não mais me estressar, me sentei ali no canto da escada mesmo, desliguei a música do celular (até as 10h da manhã, só consigo processar uma informação de cada vez), peguei a HQ “Sábado dos Meus Amores” e comecei a ler. Alguns (muitos) minutos depois, já estava preparado psicologicamente para pegar aquele típico trem que só o paulistano conhece – que sempre, sempre, sempre mesmo cabe mais alguém. Aliás, tenho impressão de que se o trem fosse até a Guiana Francesa, as pessoas continuariam entrando, mesmo que, para isso, os “passageiros” tivessem que se deitar um em cima do outro para caber mais. Não há limite. Enquanto metade das pessoas estiver respirando, elas continuarão entrando.

E foi neste cenário que, já de dentro do trem vi uma senhora e uma filha de uns nove anos chegando com a mochila nas costas, tentando arranjar um buraco para se enfiarem naquela muvuca sólida – estava mais para mussarela que queijo suíço, sabe? Lógico, no meio de centenas de pessoas, muitas não muito educadas ou gentis, elas não conseguiram entrar.

Naquele instante, pensei na minha filha. E num mix de proteção excessiva com prepotência sem tamanho, prometi a mim mesmo que ela não podia passar por aquilo, como se ela, simplesmente por ser minha filha, fosse melhor que aquela de mochila que acabava de ver – e tantas outras que passam pela mesma situação. Eu sei que devo pensar no melhor para minha filha. E aí é que está. O que é melhor pra ela? Como eu, pai, protetor que sou, vou escolher entre privá-la ou não de dificuldades, confiando que, mesmo no conforto, ela dará valor ao que possuir?

Minha mãe e eu, algumas vezes, acordávamos às 4h da madrugada, quando estávamos na Bahia, para pegar uma van com destino a Cachoeira, cidade mais próxima da vila onde morávamos. O trecho até o ponto que o transporte passava era uma caminhada gigante para uma criança de nove anos. Às vezes, com muita sorte, conseguíamos carona. Já na cidade, pegávamos uma fila, do hospital público. Não me lembro se era eu quem fazia os exames e as consultas ou se minha mãe. Fato é que eu estava numa situação a qual minha filhota, talvez, nunca passará. E cito este fato, porque foi o primeiro que me veio a mente com a idade da menina que vi.

Mas já perto dos dez anos, eu vendia geléia real de casa em casa, “Nosso Amiguinho”, “Vida e Saúde” (revistas para criança e saúde) também, a fim de conseguir uma graninha – para mim, importante dizer, pois meus pais nunca me deixaram faltar comida ou roupa, trabalhando ou não. E isso me fez bem. Devo muito da minha atual postura perante os problema a essa experiência. Graças a isso, eu aprendi a me virar sozinho mais cedo que alguns amigos meus. Mas ainda assim, na adolescência e até hoje, me pego não valorizando o que tenho. Em tempo, comparado a maior parte do Brasil, estes apuros que passei não são nada grandes.

Imagine se eu mantiver a guria numa “bolha” confortável, o risco que ela corre de não entender esse valor. Ver na TV e em documentários ou freqüentar, por exemplo, alguma ONG será suficiente para a Sofia perceber e sentir que tudo o que ela tem muita gente não tem? Mais: intrinsecamente, no meu ponto de vista, valorizar o que me é dado – ou mesmo conquistado por mim – traz naturalmente uma postura ativa de fazer algo pelos que não têm a mesma sorte. Ou deveria trazer.

Conheço pouquíssimas pessoas que tiveram tudo e, mesmo assim, aprenderam essa lição – vou conversar com os pais delas (sério!). Fazer minha filha entender essa ideia é obrigação minha e da mamãe, seja fazendo-a vivenciar algumas dificuldades seja apenas demonstrando estas com palavras e a experiência daqueles que as vivem. Fazê-la entender, repito, porque fazer de fato é sua – e somente sua – responsabilidade.

Achar esse equilíbrio é a solução, penso. Como qualquer pai, imagino diversas características que gostaria de encontrar na minha filha que, claro, não influenciarão no meu amor por ela. Desde coisas idiotas (de que música vai gostar, se amará filmes tanto quanto eu) até as mais importantes. Defeitos meus que, espero, não puxe de mim. E penso na educação, na obediência, no respeito aos mais velhos e inúmeros desejos. Mas tão ou mais importantes que alguns desses, espero que ela valorize o que vier a ter (e já tem) e, mais que isso, se esforce em ajudar aquele que não tem.

Quem sabe, assim, eu também aprenda.

Olha Isso: Cartaz Resume Curiosidades do Oscar

“Everything you wanted to know about The OSCARS”. A LocateTV colocou em seu blog um cartaz com algumas curiosidades interessantes para aqueles que gostam desta festa – que está com sua edição 2010 agendada para próximo domingo, dia 7 de março. O que recebeu mais prêmios, a mais velha, maior discurso etc. Veja abaixo (em inglês).

Everything you wanted to know about the Oscars (infographic)
Source: LocateTV

Fonte: /Film

Opinião: Show do Coldplay em São Paulo

Difícil falar sobre Coldplay e não citar seus conterrâneos do Radiohead. Principalmente, quando o último grande show assistido, antes do grupo de Chris Martin, é justamente o “concorrente” liderado pelo gênio (já apontando a minha preferência) Thom Yorke.

Fato é que, apesar de, publicamente, Martin sempre admitir a influência da banda mais velha – o grupo de Yorke lançou seu primeiro CD em 1993, quase dez anos antes de “Parachutes” – nunca encontrei tantas semelhanças nos dois grupos, se não o falsete, muito utilizado pelos dois vocalistas, a qualidade inquestionável dos backing vocals (Will Champion e Ed O’Brien) e certa melancolia em algumas melodias. Ah, é claro, a postura politicamente correta dos dois líderes, sempre pregando a favor do planeta ou de outras causas sociais.

Há alguns anos, especificamente, nos dois últimos CDs, o Coldplay vem se distanciando do Radiohead, principalmente, no que diz respeito à letra (para mim, isto representa a maior parte da música). Enquanto a banda formada no interior da Inglaterra continua preferindo o pessimismo ou a ironia (“Don’t get any big idea, they’re not gonna happen”, canta Yorke em Nude, por exemplo), mostrando como a banda enxerga o mundo, entre outros defeitos, hipócrita, o grupo londrino aposta cada vez mais no otimismo, na paz, na esperança (“And I have no doubt one day the sun will come out” da faixa Lovers of Japan). E se Radiohead ainda surpreende musicalmente, com um som mais difícil e único, Coldplay até busca mudança, mas buscando mais o épico. E neste ponto – e na popularidade – está mais pra U2 que qualquer outro grupo.

Agora, fica fácil entender aonde quero chegar: o quarteto inglês, que passou pela capital paulista nesta última terça-feira está, hoje, muito mais para o quarteto da ilha ao lado, do vocalista Bono Vox, do que para o Radiohead. E foi com tal expectativa que cheguei ao Estádio do Morumbi, por volta das 19h.

Quando entramos – meu irmão, eu e suas respectivas esposas – a banda Vanguart já estava no palco. Foi impossível não lembrar de Los Hermanos (influência perceptível no som dos garotos de Cuiabá) abrindo o show para Radiohead (que inspirou… bem, vocês sabem). Fiquei surpreso com o estádio relativamente vazio, mas logo me lembrei da cidade em que moro, e seu trânsito, e imaginei que o cenário mudaria até a atração principal. Só não sabia o quanto. Depois do show dos cuiabanos e da meia dúzia de músicas da banda Bat for Lashes (liderada por uma aspirante a Björk, só que menos… Björk), o estádio do São Paulo Futebol Clube foi lotando até, já próximo da apresentação do Coldplay, estar completamente cheio, inclusive no acesso as pistas.

Alguns minutos após as 21h30min, horário marcado para o início do show, o quarteto estava no palco. Depois de duas faixas do álbum mais recente “Viva La Vida”, a banda acertou ao tocar, sem a menor preocupação em faltar ânimo para o resto do show, seus três maiores sucessos, “Clocks”, “In My Place” e “Yellow”. O grupo também fez questão de apresentar novas versões de canções mais conhecidas, ora de maneira interessante (“Shiver”) ora brilhante (“The Hardest Part”) ora desnecessária (“God Put Smile Upon Your Face/Talk”). “Lovers in Japan”, o sucesso “Viva La Vida” (o “ô ô ôô” da música foi repetida diversas vezes pelo público, nas pausas, durante a música e ao fim do show), “Life in Technicolor II” e as antigas “The Scientist” e “Politik” completam os grandes momentos da noite.

O quarteto, apesar de alternar bem as canções mais conhecidas com as (um pouco) menos conhecidas, errou quando optou sempre ficar no limite. Deixando mais claro: em vez de deixar aquela vontade de “quero mais” em alguns momentos, exageravam, trazendo a sensação de “tá bom, né?”, como na segunda metade do show, quando foram para mais perto do público, num pequeno palco no meio do estádio. Mesmo com a excelente “Shiver” e o momento descontraído dos parabéns (era aniversário do vocalista), esta parte poderia ter sido menor.

No que diz respeito à banda, no final das contas, apesar de algumas falhas, o saldo foi positivo. Como esperado, os ingleses esbanjam carisma – a exceção do baixista Guy Berryman, de poucos sorrisos. Especialmente, o frontman que, como um bom visitante, fez questão de dizer algumas palavras em português (um clichê educado), dançou, deitou na passarela, improvisou no piano. Champion, o baterista, que cantou os parabéns para o líder, também é uma simpatia. A direção de arte estava bela, com direito a telões revezando com belas paisagens e efeitos ou imagens dos integrantes – erraram no tamanho, muito pequeno –, fogos de artifício, chuva de borboletas, fora as clássicas bolas amarelas no grande sucesso “Yellow” passando por cima dos que estavam na pista.

Outro grande destaque da noite, infelizmente, foi a péssima equipe responsável pelo som. E isso estragou muito a noite. Diversas vezes, notava-se uma oscilação no áudio do microfone dos integrantes e nos seus instrumentos. Sem falar que estava extremamente baixo para um local daquele porte. A título de curiosidade, minha sogra mora praticamente ao lado do estádio e não se incomodou com o som – ao contrário, segundo ela, do AC/DC que parecia tocar na garagem de sua casa.

Enfim, dois anos depois de trazer menos de 10.000 pessoas ao Via Funchal, os ingleses deram um salto no sentido de popularidade e lotaram um estádio com 65 mil presentes (segundo o UOL). E isso é, de certa maneira, um mérito. Falta ainda, no entanto, um pouco de maturidade a banda, para cortar alguns caprichos. Talvez se definirem mais, se pops, se alternativos. Particularmente, prefiro o início da banda. Então, neste caso, quem sabe, amadurecer significa voltar as origens.

Como a própria personalidade do grupo, o show ficou no meio termo. Diria satisfatório, pouco acima da média, sem a extrema qualidade do Radiohead (que tocou para metade do público no ano passado) numa impecável apresentação nem o espetáculo (melhores som e setlist) que foi o U2, no mesmo lugar, em 2006. Mas ainda assim, uma bela noite.

SETLIST:

Life In Technicolor
Violet Hill
Clocks
In My Place
Yellow
Glass Of Water
42
Fix You
Strawberry Swing
God Put A Smile Upon Your Face/ Talk
The Hardest Part
Postcards From Far Away
Viva La Vida
Lost!
Shiver

Parabéns para você/Happy Birthday
Death Will Never Conquer
Don Quixote
Viva La Vida (remix)

encore:
Politik
Lovers In Japan
Death And All His Friends

encore:
The Scientist
Life in Technicolor 2
The Escapist

P.S.: Ao fim, como prometido durante o show, foi distribuído aos presentes, um CD com nove faixas. Um gesto bonito, principalmente, se levar em consideração os elevados valores dos ingressos (que iam de R$180 a R$600).

Fontes:
Setlist: VivaLaColdplay.com
Foto: JCorreio