Arquivo mensal: dezembro 2010

Top 10 Filmes de 2010

Listas de melhores filmes do ano sempre causam polêmica, é claro. E desta vez, me refiro mais especificamente, como fator polemizador, àquela outra lista, repleta de considerados obrigatórios do ano que não foram assistidos. No meu caso, por exemplo, posso citar “A Fita Branca”, “O Profeta”, “O Escritor Fantasma”, “O Mágico”, “A Cópia Fiel”, “Megamente”, “Como Treinar seu Dragão”, citando alguns bem vistos pela crítica ou pelos amigos (dou igual valor), que ainda não pude ver. Motivo principal: desde que me tornei um pai, felizmente, inseri na minha rotina algo ainda melhor que assistir a vários filmes por semana: ser pai da Sofia.

Acrescente aí o fato de eu não ser muito adepto da pirataria, o que me tira a oportunidade de não ter apreciado alguns prováveis grandes filmes inéditos no Brasil, como “Black Swan” do Aronofsky, “True Grit” dos irmãos Coen, “The Tree of Life” do Terrence Malick, “Rabbit Hole”, com a Nicole Kidman etc. Sem falar daquela boa e velha discussão sobre gosto.

Observação: Utilizei a data de estreia no Brasil. Acredito que a única exceção, podem me corrigir se eu estiver enganado, é “Avatar” (entre as menções honrosas), que estreiou ao fim de dezembro do ano passado, mas achei válido citar.
Observação 2: Diferentemente de outros anos, consegui em 2010 colocar em ordem de preferência.

TOP 10 Filmes de 2010 do Cinema Franco

1 – A Origem

2 – A Rede Social

3 – Toy Story 3

4 – Tropa de Elite 2

5 – Kick-Ass – Quebrando Tudo

6 – Scott Pilgrim

7 – O Segredo de Seus Olhos

8 – A Ilha do Medo

9 – Guerra ao Terror

10 – As Melhores Coisas do Mundo

Menção honrosa

Onde Vivem os Monstros
A Estrada
Avatar

A cobaia perfeita

TRIIIIIMMM

TRIIIIIMMM

TRIM

– Alô.

– Alô, Burrice?

– Sim, quem é?

– É da Central de Inteligência, tudo bem?

– A essa hora, cara?

– Desculpa, é que tivemos uma ideia nessa madrugada e gostaríamos de testar, antes de implantar.

– Vocês e estes testes… acho que vou me arrepender, mas me conte qual é a da vez.

– Estive pensando…

– Jura?

– Não, calma, deixa eu falar. Atualmente, tem sido difícil nos mantermos atualizados neste mundo online. Estamos ultrapassados. Não é nada fácil, por exemplo, alguém ter uma ideia que outro não tenha tido ou, no seu caso, uma burrice que ainda não tenha sido feita.

– Nem me fale. Mas no meu caso ainda é tranquilo, porque o cara que erra depois de ter visto outro errar na mesma coisa o torna mais burro ainda. Então, pra mim é lucro, já pra você…

– Verdade. Aí, pensamos em uma maneira mais rápida de fazer a sua burrice e a nossa inteligência chegarem até as pessoas interessadas de maneira mais interativa e mais rápida.

– Vocês são meio estranhos, né?

– Calma, você vai entender. Sabe o que é um servidor?

– Servidor público? Mas eles nem…

– Não, não.

– Aqueles de computador?

– Siiim. Então…

– Peraí, estou abrindo meu notebook.

– Ok, vai ver no Wikipédia, né?

– …

– Alô?

– Oi? Perdão. Estou ligando aqui.

.
.
.

– Pronto?

– Sim, diga.

– Então… acredito que se utilizar uma pessoa como armazenador de atitudes e informações estúpidas, no seu caso, claro, conseguirá espalhar a burrice de forma mais rápida. Os clientes não precisariam buscar toda e qualquer novidade diretamente com você. Além de mais rápido, seria mais fácil de administrar a estupidez dividida para os clientes. Você checa o log – um tipo de histórico – destes servidores escolhidos e saberá se será necessário fazer um update de estupidez ou apenas acompanhar. Sem falar que tornando mais rápido este acesso à burrice, muitos daqueles que, na hora de fazer a cagada, pensam um pouco mais e desistem, acabariam indo até o final, justamente pela falta de tempo para raciocinar. E, mesmo aqueles que tiveram tempo para pensar antes, deixariam suas informações em cache. Desta maneira, o próximo cliente não precisará carregar todos aqueles dados de novo.

– Um pouco complexo isso, não?

– Que nada, é simples. Vamos fazer alguns testes. Na prática, você vai entender. Mas para isso, precisamos encontrar a pessoa ideal. O servidor de burrice ideal.

– Nossa, difícil escolher, hein?

– Sim, sim. Complicado. Se preferir, podemos nos reunir pessoalmente. Você vai pensando daí, eu daqui e chegamos à reunião com alguns nomes possíveis…

– Não, espera… acho que tenho a pessoa certa. Na semana passada, ele demonstrou estar preparado para armazenar muita burrice e ele sempre me surpreende. Menino super dedicado. Aliás, ele não te suportaria, ou seja, ele seria um ótimo servidor dedicado, podendo baixar minhas informações isoladamente e, quem sabe, futuramente poderia se promover e se tornar uma filial.

– UAU!

– Ahan. Conhece o Fagner?

– “Quem dera ser um peixe…”? Sei, cearense muito bom, nem parece ser burro.

– Não, não. Não é o cantor.

– Hmm… existe outro? Não me recordo de outro Fagner.

– É, imaginei… o cara me ama. Discreto, nem parece ter tamanho potencial para cagadas e, quando menos espero, me surpreende com uma burrice animal.

– Pô, legal. Conta aí!

– Vou contar só uma delas. É só o calor apertar pra esse cara inventar de raspar cabelo na 3 ou, no máximo, na 2. A parte engraçada é que ele tem uma puta orelha – inclusive, seu irmão o chamava de Dumbo quando menor – ou seja, raspar o cabelo só acentua esta característica. Desta vez, depois de passar por uns 10 cabeleireiros perguntando se tinha desconto quando é só máquina, ele resolveu pedir a sua amada uma ajuda e pegou uma máquina emprestada de um amigo. Quando estava na metade, a máquina começou a mastigar o cabelo do idiota e foram obrigados a dar uma pausa. Havia pouca carga. O Dumbo, querendo economizar tempo, deixou a máquina carregando mais um pouco e retirou o pente para aparar o projeto de barba…

– Imbecil.

– Exato. Retirou o pente para aparar aquele projeto de barba, que mais parece um bode. Aparou e, enquanto o aparelho recebia um pouco mais de carga, foi beber água na cozinha. Ao voltar para o banheiro, resolveu continuar sozinho. Olhou direto para o espelho, pegou a máquina, sem colocar o pente de volta e… já sabe. Resultado, a anta teve de raspar sua cabeça inteira na zero, deixando suas orelhas e sua testa protuberante ainda mais vistosas. Sem falar nas cicatrizes em sua cabeça, resultado de uma infância rebelde.

– Ave maria! É ele.

– Foi o que achei. Sabia que ia gostar.

– É a cobaia perfeita. É a prova de que ser burro, muitas vezes, também é muito difícil. Vamos acompanhar esse cara, pra ter certeza que é ele, mas tudo indica que tem um futuro promissor.

– Obrigado, obrigado.