Arquivo mensal: maio 2011

Confissões de um (quase) Tiozão

Tenho uma vaga lembrança da última vez que havia saído, como dizem por aí, “de balada”. Acho que foi no Bárbaro (ou se diz Barbarô?) na Vila Olímpia, há uns três anos. Foi, até onde me consta, por causa do aniversário de uma amiga da minha então namorada Tati – hoje, esposa. Provavelmente, as outras oito das dez vezes que saí assim na vida, foram por motivo similar. E no último sábado, por igual circunstância, fui à Marcenaria, barzinho-balada, localizado na Fradique Coutinho, para onde curiosamente já havia ido, tempos atrás, a um… aniversário.

(O que se segue em nada tem a ver com o aniversariante, amigo muito querido e dos mais engraçados que conheci na vida. Não se trata também de algum tipo de preconceito com aqueles que frequentam estes lugares, de maneira alguma. Ademais, toda regra traz uma exceção na manga, então, desculpa qualquer generalização. Dito isso…)

Eu odeio balada. Nunca me senti confortável nestes ambientes. Isto, em grande parte, por conta de algumas verdades absolutas a meu respeito. Primeira delas: não sei dançar. E não digo isso como aquele cara de filme que diz a mesma coisa e, depois de muita insistência da mocinha, cede e se descobre um verdadeiro Fred Astaire. Não. Eu realmente sou irremediavelmente desprovido de qualquer coordenação motora para este tipo de exercício físico. Mesmo quando faço isso brincando (em casa, com minha filha, certo de que não há qualquer possibilidade de alguém estar filmando), minha cintura não cogita acompanhar o que meu cérebro pede, meus pés não tem ritmo algum e se batem um com o outro. É vergonhoso.

Segunda verdade sobre mim, citando agora um dos grandes motivos de alguns irem a estes lugares: nunca tive o menor interesse em beijar uma desconhecida – claro, falo da época que isto faria sentido, ou seja, quando estava solteiro. Não tenho nada contra quem tem ou tinha esse costume, só é uma característica minha. Simplesmente não me atrai essa ideia. Terceiro, eu não bebo. Por último, tenho um estranho costume de odiar ficar em pé à toa. Não tenho muito prazer em ficar cansado, é sério, e nestes lugares dificilmente existe lugar para se sentar e quando há, já estão ocupados. Tem mais motivos, mas fico por aqui, acho que já deu para entender. Sou do tipo que prefere os lugares onde posso conversar sem precisar gritar no ouvido do outro, como um barzinho ou lanchonete. Nos shows, citando algo que gosto, mesmo com música alta, não converso nem tenho interesse em dialogar com alguém. Eu quero ouvir a música, assim como no cinema eu quero assistir ao filme.

Voltando à noite de sábado, vamos por partes. Cheguei ao local, entrei, recebi a devida bulinada do segurança, passei por outro que indicou onde aquele papel recebido na entrada deveria ser entregue, entreguei ao caixa que, por sua vez, me deu a comanda, informando, sem nenhum pedido de desculpas, que a entrada era R$55 consumação. Para alguém que já havia comido, não havia vantagem em ser de consumação. Para quem odeia estes lugares, é um gasto inútil. Para aquele que com essa grana prefere comprar o terceiro volume de “Peanuts Completo”, muito desnecessário. Para o que veio da Zona Sul, injustiça. Para um desempregado, é muito sem noção. Então, para quem se encaixa em todas as alternativas acima, uma puta burrice. Soma-se ainda a da minha esposa e já são mais de R$100, contando o estacionamento que parou no século 20 e não aceitava cartão de débito, mesmo custando R$15.

Entrei, desejei as devidas e sinceras felicitações ao aniversariante, cumprimentei aos demais e, logo na entrada, tive uma bela surpresa: um kiosque de comida japonesa. Ali, consumiria meus R$50 (R$5  ficaria para Coca-Cola). Mas esta não seria a única surpresa da noite – ok, talvez tenha sido uma das poucas que me trouxe alegria. Uma banda razoável era a atração do primeiro ambiente e, mais ao fundo, o segundo recinto, ficava a legítima balada. Era um amontoado de pessoas dividas em as que estavam se atracando, as que buscavam se atracar, as que fugiam de algum homem feio demais para beijar mesmo estando bêbadas mais duas ou três pessoas que não estavam em nenhuma destas situações. Felizmente, havia a opção de um lugar mais tranquilo, o camarote, que ficava próximo ao DJ, para onde fui e encontrei, inclusive, um sofá – um oásis, eu diria.

Dali de cima, tinha uma plena visão do local. Tati e eu, inclusive, encontramos nosso passatempo da madrugada – que em outro lugar seria lido como “prestar atenção na vida alheia”, mas prefiro enxergar como “estudo da natureza humana quando em contato com o sexo oposto, com muita bebida e música horrível em ambientes fechados”. Brincamos tentando descobrir em que momento da relação cada casal se encontrava; se namoro, ficada, se eram desconhecidos, casados, se a pessoa estava gostando dali, se era a primeira vez, se aconteceria “aquela” primeira vez ou se estava rolando a primeira vez, ali mesmo. Em tom de brincadeira, mas com um toque de preconceito, disse a um amigo solteiro que estava junto “venha dar uma olhada, sua futura namorada deve estar aqui em algum lugar, pode procurar”.

Falando sério, a coisa estava feia. Na verdade, a coisa costuma ser feia nestas casas. E funciona daquele jeito, para muitos. Para se ter uma ideia, num determinado momento, o DJ disse alguma coisa que não consegui entender, mas que trouxe uma histeria a todos, e as mulheres subiram no balcão do bar e munidas de microssaias dançaram “Loca” da Shakira, enquanto os da testosterona se posicionavam estrategicamente logo abaixo – e ali ficaram por mais algumas músicas. Segundos depois das garotas terem subido, o barman as acompanhou, dançando com uma de cada vez ou com várias de cada vez. Depois disso, a noite melhorou, quando saímos dali e voltamos ao ar puro. As cadeiras do lado de fora se esvaziaram e pudemos sentar perto de onde sairiam os nossos temakis. E aí então, ficamos conversando com o aniversariante e o Sam até o fim da noite.

Vim para casa, e algumas cenas continuaram na minha cabeça, me fazendo refletir bastante, trazendo um sentimento triste e de preocupação. Antes que clamem, não sou santo, aliás, passo bem longe disso e não sou ingênuo, sei muito bem que há lugares piores que este. Talvez ser pai colabore para tais pensamentos. Não por ser pai de menina, mas por ser pai (ponto). Geralmente, imaginamos características que a criança, quando mais velha, poderia ter, sem ser aquelas básicas, saudável e educada, por exemplo. Mas outras mais específicas, como estudiosa, viciada em filmes ou livros ou quadrinhos. Ou mesmo coisas mais fúteis, quem sabe gostar de determinado seriado ou time, música, desenho, revista, canal etc. E não haverá decepção nenhuma se ela não ser alguma destas coisas. De forma alguma.

Neste sábado, porém, eu descobri uma das coisas que ela poderia não ser. E não é questão de certo ou errado, é de preferência, de gosto. Se posso achar vergonhoso alguém gostar de Funk, posso achar vergonhoso algumas atitudes que se vê em ambientes como este e posso também escolher ficar longe disso. Posso ser bastante sincero? A verdade é que não me sentiria feliz se encontrasse minha filha se expondo de tal maneira – nem meu filho (se tivesse um) se aproveitando de alguma menina por ela estar bêbada.

Finalmente, pretendo não retornar a um lugar como este – e devo conseguir realizar este desejo, pelo menos até um próximo aniversário. Justamente por não me acrescentar em nada, por não me servir em aspecto algum, e também por ali estar repleto de gente que se esforça bastante para provar que a humanidade não deu certo.

Vem aí: “Abraham Lincoln – Caçador de Vampiros”

Seth Grahame-Smith caiu nas graças de Hollywood. Suas duas obras literárias mais conhecidas, “Orgulho e Preconceito e Zumbis”, de 2009, que adiciona zumbis àquela famosa história de Jane Austen, e “Abraham Lincoln – Caçador de Vampiros”, lançado um ano depois, ambas trazidas ao Brasil pela editora Intrínseca, receberão as devidas adaptações cinematográficas. Curiosamente, talvez por conta dos padrinhos-produtores Tim Burton e Timur Bekmambetov, a versão vampírica da vida do ex-presidente norte-americano virá antes.

Anos depois de ver sua mãe morrer, aparentemente por uma simples doença que acometia as mulheres naquele século, Abraham Lincoln descobre a verdade: a velha foi morta por um vampiro. Então, ainda jovem, decide se vingar e traça um plano contra os sanguessugas. O tempo passa e Lincoln se torna, enfim, um verdadeiro guerreiro, chegando até a Casa Branca. Grahame-Smith mistura elementos da vida real do mais importante presidente dos Estados Unidos com, obviamente, vampiros, e mostra a relevância do papel destes no nascimento da Nação mais poderosa do mundo.

Algumas coisas me deixam ansioso por esta adaptação. Primeiro, apesar de não ter lido este livro ainda, pude ler o primeiro. E digo, sem medo, acredito no Grahame-Smith. Não só pela coragem em colocar zumbis com vestidos do século XIX na romântica história de Jane Austen, mas também por ter se saído muito bem e ser muito criativo e engraçado. Segundo, o roteiro está sendo escrito pelo próprio autor, impedindo, talvez, que um terceiro enfie a mão e altere algum elemento importante da fonte. Tim Burton (“Peixe Grande”) e o russo Bekmambetov (“O Procurado”), este também como diretor, costumam acertar a mão (vamos esquecer “Alice no País das Maravilhas” pelo bem do cinema, ok, Sr. Burton?), terceiro ponto positivo. E o mais importante: Abraham Lincoln numa guerra contra vampiros? Se isto não for divertido, sirvo meu pescoço à primeira vampira que eu encontrar no caminho.

A produção tem um orçamento de $70 milhões – modesto, levando em consideração que é um blockbuster recheado de efeitos especiais – e o elenco conta com alguns nomes conhecidos, entre eles, Mary Elizabeth Winstead (o grande amor de “Scott Pilgrim”), como esposa do presidente e Rufus Sewell (de “O Ilusionista”), o grande vilão da trama. No papel principal, Benjamin Walker. Confesso que não o conheço minimamente.

Abaixo, a primeira imagem do longa (clique para aumentar), divulgada nesta semana. “Abraham Lincoln – Caçador de Vampiros” deve estrear no verão americano de 2012, se o mundo não acabar até lá, é claro. No mesmo ano, aliás, Steven Spielberg lançará sua versão – sem vampiros – da história, com Daniel Day-Lewis como Lincoln.

Fontes: NY Times e IMDB

P.S.: Os livros “Orgulho e Preconceito e Zumbis”“Abraham Lincoln – Caçador de Vampiros” estão, respectivamente, R$19,90 e R$29,90, no Submarino – até hoje era onde estava mais barato.

 

Os Grandes Lançamentos do Verão Americano – Parte I

Apesar de o verão americano começar só em meados de junho, no cinema, esta época chega um pouco antes. Mais precisamente, fim de abril, e se estende até meados de agosto. E como todos sabem – alguns apenas não percebem –, é a época escolhida pela maioria dos estúdios americanos para lançarem seus blockbusters. Isso, em grande parte, claro, por causa das férias da criançada chegando.

Em 2011, esta fase já teve seu início – e foi em terras brasileiras aonde chegou primeiro. No Brasil, a algumas semanas do inverno, o arrasa-quarteirão da Marvel “Thor” estreou dia 29 de abril, antes mesmo dos Estados Unidos, onde foi lançado na última sexta-feira, 6 de maio. Este longa marca o início da temporada de filmes que nem sempre acertam o tom entre diversão e roteiro – quase sempre preferindo aquele ao último.

Destaco abaixo os principais lançamentos (leia-se: aos quais eu devo assistir no cinema) do verão americano – ou, se preferir, do inverno brasileiro.

Piratas do Caribe 4 (previsão de estreia: 20 de maio)

Depois de um hiato de três semanas com filmes, a priori, desinteressantes (em se tratando de blockbusters), dia 20 de maio retorna pela terceira vez a série do Capitão Jack Sparrow, em “Piratas do Caribe 4 – Navegando em Águas Misteriosas”. Novidades: Sai Keira Knightley entra Penélope Cruz – ou seja, ganha um pouco mais de beleza, convenhamos. Sai também Orlando Bloom e entra… tanto faz, Bloom e seu personagem eram muito chatos.

Embora nenhuma das continuações tenha sido necessária, não deixa de ser um destaque deste meio de ano, pois a saga de Sparrow é uma das mais rentáveis da história do cinema – juntas, as três primeiras aventuras acumulam algo perto de 3 bilhões de dólares.

Na trama, Sparrow (Johnny Depp) encontra um de seus antigos amores, Angélica (Penélope) e, juntos, partem em busca de uma Fonte da Juventude. Resta ao capitão descobrir se a moça é confiável ou se apenas o usa como degrau para a tal fonte. Além de Depp, retornam ao elenco, Geoffrey Rush e Keith Richards – sim, o guitarrista dos Rolling Stones. Ian McShane interpreta Blackbeard, o grande vilão da vez.

Trailer no You Tube, aqui.

Se Beber, Não Case! 2 (27 de maio)

Outra sequência, desta vez de uma das melhores comédias dos últimos anos, “Se Beber, Não Case!”. Depois de acordar em Las Vegas com um tigre, um dente a menos em um luxuoso quarto de hotel e quase arruinar com o casamento do amigo Doug (Justin Bartha), o grupo de amigos liderado por Phil (Bradley Cooper) passará suas desventuras na Tailândia.

“Se Beber, Não Case! 2” conta com todo o elenco principal do primeiro. Além de Cooper e Bartha, Zach Galifianakis, como o gordinho Alan, Ed Helms, o dentista banguelo do longa de 2009 e até a divertida participação de Mike Tyson retornam. O japa Ken Jeong (quem, particularmente, não achei muito engraçado) também está de volta. Paul Giamatti (“Almas à Venda”) fará uma participação especial na comédia, novamente dirigido por Todd Philips.

Assista ao trailer – e veja que a receita continua exatamente a mesma: clique aqui

Hanna (27 de maio)

No mesmo dia da comédia de Todd Philips, chega aos cinemas brasileiros a estreia de Joe Wright como diretor de ação, em “Hanna”. Saoirse Ronan (indicada ao Oscar de atriz-coadjuvante por seu papel em “Desejo e Reparação”) é a personagem-título, uma assassina mirim, treinada desde pequena pelo pai. Após descobrir como é uma vida normal, busca, então, a liberdade em meio a uma missão.

A trilha sonora do filme é composta pelos Chemical Brothers e completam o elenco Cate Blanchett (“Não Estou Lá”) e Olivia Williams (“Educação”).

A Árvore da Vida (3 de junho)

Pelo trailer e pela sinopse, o novo filme de Terrence Malick (“Além da Linha Vermelha” e “O Novo Mundo”) parece ser o grande drama do verão nos Estados Unidos, senão do ano.

A história de “A Árvore da Vida” é centrada numa família dos anos 50 que, após a perda de um filho, se perde. Jack (quando velho, interpretado por Sean Penn) cresce, se tornando um adulto deprimido no mundo atual. Brad Pitt está no elenco, como o pai de Jack.

Curiosamente, o roteiro de Malick viaja do Big Bang até o futuro. Inclusive, encontraremos, como pode ver abaixo, dinossauros neste longa.

Assista ao belíssimo trailer, clicando aqui.

X-Men – Primeira Classe (3 de junho)

Neste reboot da série cinematográfica dos mutantes da Marvel, conta-se a história dos jovens Charles Xavier (James McAvoy, de “O Procurado”) e Erik/Magneto (Michael Fassbender, “Bastardos Inglórios”), quando ainda eram amigos. O vilão agora é Sebastian Shaw, interpretado por Kevin Bacon (“O Homem Sem Sombras”).

Não fosse o nome de Matthew Vaughn nos créditos desta adaptação, chutaria ser esta uma das grandes decepções do ano. Mas com Vaughn, responsável pelo excelente “”Kick-Ass – Quebrando Tudo”, na direção creio – e torço! – que serei surpreendido.

Trailer no You Tube.

Kung Fu Panda 2 (10 de junho)

A bem-sucedida animação da Dreamworks de 2008 rendeu uma continuação, dirigida pela estreante Jennifer Yuh – antes ela havia encabeçado a história do primeiro longa e feito parte do departamento de artes de outros filmes.

Juntam-se às vozes de Jack Black, Angelina Jolie, Seth Rogen, Lucy Liu, Jackie Chan e Dustin Hoffman, as de Gary Oldman e Jean-Claude Van Damme. A vila tranquila de Po é ameaçada com a chegada de um vilão que pretende destruir, entre outras coisas, o Kung Fu.

Veja este teaser divertido: http://www.youtube.com/watch?v=YdaMGcOyfjM

“I’ll be back.”

Sobre Cinema Franco, Expectativa e Combustível

Expectativa. Talvez o motivo pelo qual a maioria dos blogs é abandonada ou apagada seja a expectativa. Se alguém tivesse coragem de me pedir um conselho neste assunto, blog, depois de recomendar “você precisa escolher um melhor conselheiro”, eu diria: não crie expectativas. Aliás, se me pedissem uma dica sobre qualquer coisa na vida eu daria a mesma resposta. Não é pessimismo, só acho que, pensando assim, o maior risco que corro é de me surpreender, quase sempre, positivamente. 

Quando comecei a escrever algumas coisas na Internet, foi no moribundo Multiply. Lá era mais fácil alguém te ler (ou ver suas fotos), porque você deixava uma opção marcada que fazia seu grupo de amigos receber um e-mail com uma cópia do texto – sim, que jogo baixo. À época, trabalhava de madrugada, como suporte em TI de uma multinacional. Apesar de muito grande a empresa, o telefone tocava uma ou duas vezes, em ligações que demoravam 2 minutos cada, no máximo. Assim, me sobravam 7 horas e 56 minutos para fazer o que bem quisesse, inclusive, escrever muito (quantidade). Havia até uma pausa para ir ao Extra 24 horas, que ficava a 5 minutos de caminhada, onde eu comprava algo para saciar aquela fome que aparece de madrugada.

(Fugindo do assunto, essa fase serviu para provar que eu nunca engordarei. Comia Ruffles, Fandangos e Passatempo durante a noite inteira, acompanhados de Danoninho – uma bandeja completa – e uma caixa de Bis. Tudo isto com 2 litros de Coca-Cola. Era assim, todas as noites, por mais de um ano. Como quem me conhece sabe, não engordei; continuo pele, osso e pelos mal distribuídos pelo corpo.)

Esse jogo baixo do Multiply tinha suas vantagens. Claro, eu sabia que nem toda aquela gente que acessava minha página chegava até o fim ou nem lia nada. Mas era interessante ver o avatar de todos aqueles que haviam entrado na minha página e ficar imaginando que, pelo menos, metade daqueles perdeu um ou dois minutos “me lendo”. Isso me mantinha, enquanto blogueiro, vivo.

Mais tarde, veio o Cinema Franco, ainda no Blogspot que, depois, migrou para o WordPress e, agora, muda de .com para .com.br – tudo isso, graças ao @geyvisonlud, responsável pelo ótimo visual do site. E aquilo que servia para me manter escrevendo diminuiu significativamente. Os rostos sumiram, trocados por duas dezenas de visitas e, com muita sorte, uma meia dúzia de comentários. Não tivesse deixado minha expectativa de lado, poderia ter desistido. Existe, lógico, uma ponta de esperança que aquele post especial – geralmente, aquele mais pessoal – chegue perto dos 30 comentários. Contudo, aquilo que era expectativa, hoje, é combustível.

Quem gosta de escrever sabe muito bem que ser lido é divertido. Ver a família, amigos, colegas de trabalho ou de sala lendo o que escrevo não tem preço. Aquele nome nos comentários que não sei como chegou aqui, talvez, graças ao Google ou ao Twitter ou aos corajosos que colocam minha página em seus blogs, é igualmente sensacional.

Comecei este texto pensando no primeiro do novo formato (e endereço) do blog, quando me perguntei “O que faço aqui? O que é o Cinema Franco para mim?”. Perguntas que, de alguma maneira, já havia pensado, mas nunca parado para responder. A verdade é que o CF sou eu tentando, aprendendo, testando, crescendo, procurando, sou eu me descrevendo e mostrando aquilo que me atrai, me interessa ou me desinteressa sobre filmes (de fato, o maior foco do blog), músicas ou qualquer outra coisa que eu queira registrar. São esses gerúndios clichês, e outros mais, carregados de honestidade.

E, correndo o risco de esfiapar a seda, o alvo disso tudo é, sim, manter você, leitor. Fazer você ter vontade de chegar até o final – e não se arrepender. Te deixar livre para comentar, criticar e elogiar, quando sincero. Espero, com esta cara nova, escrever algo que possa ser útil (pelo menos, de vez em quando, vai) de alguma maneira para alguém – lembrando que entretenimento é utilidade.

No mais, bem-vindo ao novo Cinema Franco e muito obrigado por, vez ou outra, separar um pouco do seu tempo para estar aqui.

Fagner Franco