Arquivo mensal: junho 2011

Os Grandes Lançamentos do Verão Americano – Parte II

Depois de errar em algumas datas aqui, que havia buscado no IMDB, retomo os grandes lançamentos das férias escolares do  meio do ano, marcado geralmente por Blockbusters que miram a gurizada que não terá nada para fazer.

Meia-Noite em Paris (17 de junho)

Apesar de passar longe de ser um arrasa-quarteirões, o representante cult da temporada é “Meia Noite em Paris”, escrito e dirigido por Woody Allen. Como é quase uma regra na carreira do diretor, o foco do roteiro é o relacionamento. Gil (Owen Wilson), um roteirista de Hollywood e a esposa Inez (a belíssima Rachel McAdams) resolvem passar suas férias em Paris e aprenderão que nem sempre uma vida diferente é melhor do que a que vivemos.

Novamente, reunindo um ótimo elenco, o filme dispensaria apresentação da sinopse para atrair o grande público. Além de Wilson e Rachel, Tom Hiddleston (o irmão de “Thor”), Marion Cotillard (“A Origem”), Adrien Brody (“Vigaristas”) e Carla Bruni-Sarkozy.

Trailer (sem legenda): http://www.youtube.com/watch?v=twnHx6bsT3Q

Carros 2 (24 de junho)

Ao saber da sequência da ótima animação (um pleonasmo em se tratando de Pixar) de 2006 fiquei pensando se não seria o primeiro tropeço do estúdio, hoje da Disney, responsável pelas melhores animações das últimas duas décadas. Com a chegada do primeiro trailer e de algumas imagens, curiosamente, a desconfiança se manteve. Espero estar – e tenho quase certeza que estarei – errado.

McQueen e Mater participam, desta vez, de uma competição ao redor do mundo, cheio de espionagem e armadilhas. Sim, a sinopse também me assusta um pouco.

Owen Wilson volta na voz McQueen e há as participações de Sophia Loren e Michael Caine. John Lasseter, diretor-geral de criação da Disney, e Brad Lewis estão na direção.

Trailer no Youtube: http://www.youtube.com/watch?v=idQjr_xONE4

Mr. Popper’s Penguins (1 de julho)

Tenho um segredo para contar: eu amo o Jim Carrey. Então, qualquer filme estrelado por ele eu julgo como obrigatório – para mim. Este conta a história de um homem de negócios que recebe de herança seis pinguins (!) e é obrigado a transformar seu apartamento num verdadeiro parque de inverno. Obviamente, sua vida pessoal e profissional será abalada.

Carla Gugino (“Watchmen”) é o par romântico de Carrey nesta comédia dirigida por Mark “fiz-nada-de-interessante”Waters (de “E Se Fosse Verdade…”).

Trailer no Youtube: http://www.youtube.com/watch?v=zQpC6CAJB20

Transformers 3 (1 de julho)

Depois de ter feito um dos piores filmes dos últimos anos – fiquei com vergonha alheia em alguns momentos – no segundo capítulo da série, Michael Bay tenta consertar as coisas que começaram bem com um divertido longa.

Uma mudança deve desagradar aos marmanjos: sai Megan Fox, entra Rosie Huntington-Whiteley, também bela e provavelmente desprovida de qualidade como atriz – afinal, Bay se preocupa só com o visual, seja de suas atrizes seja do roteiro da maioria de seus filmes.

Agora, a história acontece em meio a Guerra Fria dos EUA, quando os robôs do bem (Autobots) e do mal (Decepticons) entram numa briga espacial entre americanos e russos.

Shia Labeouf volta como o herói humano da (agora) trilogia. Frances McDormand e John Malkovich estão (perdidos) no elenco.

Anúncios

Anos Incríveis – Parte I: The Wall

Inspirado por um dos últimos posts do Rob Gordon, cujo assunto era justamente sua infância e adolescência, me lembrei, enquanto ainda terminava de ler o texto, que não havia registrado nenhum momento da fase mais intensa da minha vida, e então, resolvi me livrar deste pecado – e como castigo (se para mim ou para vocês, vamos ver), compartilhar os principais episódios em alguns capítulos.

Muitos dos que passam por aqui já sabem, mas para situar todo mundo, morei quase sete anos em colégio interno. Foram ótimos anos, os quais renderam, entre muitas outras coisas, grandes amizades. A propósito, quem estuda certo tempo neste regime sofre de um mal: os amigos fora daquele mundo não são iguais aos dele. Não é questão de melhores ou piores, mas sim, diferentes. Muito diferentes.

O motivo desta diferença é simples: acordamos, tomamos banho e escovamos os dentes na mesma hora, saímos para o café, para o culto, para a escola, para a praça, jogamos na mesma quadra toda tarde (às vezes, à noite também) e conversamos durante a madrugada inteira até alguém parar de responder. Tudo isso fazemos juntos e, com algumas pessoas, durante muitos anos. Então, não há como comparar, principalmente se você viver em uma cidade como São Paulo. Sem falar do trabalho, estudo, família, enfim, as obrigações que vêm com a idade.

O primeiro colégio interno onde eu estudei foi o IAENE (Instituto Adventista de Ensino do Nordeste), hoje FAB (Faculdade Adventista da Bahia). E cheguei por lá aos 14 anos de idade, para fazer a oitava série – não, eu não reprovei nenhum ano; por fazer aniversário no meio do ano, meus pais decidiram me colocar depois, não antes da hora na escola, mas não tive nenhum problema com isso, exceto a eterna pergunta “você bombou?”.

Cheguei ao IAENE numa sexta, dia 19 de fevereiro de 1999. Uma semana após as aulas terem começado – aliás, esta característica de faltar os primeiros dias na escola me acompanha até hoje, culpa dos meus pais, muito queridos, que sempre me incentivaram com um “ah, na primeira semana nunca tem nada”. Lembro-me do dia exato por causa do significado da sexta-feira para os internos Adventistas. É o nosso happy hour. E apesar de, ali, a vida ser muito fácil (exceto para os bolsistas), sempre havendo espaço para muita conversa, era neste dia que sua roda de amigos aumentava, que você se arrumava mais para o culto, fazia aquele belo pôr-do-sol, elogiava a mocinha com quem iria trocar olhares e bilhetinhos (quiçá uns beijinhos escondidos) durante a noite, era também dia de ficar enrolando os guardinhas, que enchiam o saco para voltarmos aos nossos dormitórios. Até a comida na sexta à noite era mais gostosa. Então, chegar num dia tão alegre foi, de fato, marcante e especial para mim.

Tive a sorte de cair no quarto de um ser muito estranho. E quero com esta palavra, “estranho”, fazer você visualizar o que de mais estranho viu na vida, para chegar perto do visual do moço. Não me recordo de ter visto na minha vida, nem mesmo na Internet ou em Monstros S.A., criatura tão carente de beleza. Para deixar mais evidente sua aparência, ele tinha uns 2 metros de altura e tinha ombros de quem fazia natação por décadas. Os olhos, que fornecia a ele uma visão 360 graus, não se encaixavam muito bem no rosto, tampouco os dentes na boca. Mas enfim, ele era também muito carismático e engraçado e devo a ele um dos momentos mais divertidos do meu primeiro semestre. Seu apelido, Tonga.

Para quem não conhece como funciona o colégio interno, no que diz respeito a quem controla os alunos (é esta a palavra, acredite), vou dar uma resumida. Há um diretor geral do campus, que só se chega a esta pessoa se for ser expulso ou nem isso, um diretor interno, o manda-chuva nos assuntos envolvendo o internato, dois ou mais preceptores em cada dormitório (feminino e masculino), que nos pune, nos cobra presença nos cultos, na escola, entre outras chatices, e, por último e mais insignificante, os monitores, bolsistas, geralmente estudantes de Teologia, que carregam a cruz de ter como trabalho o ato de dedurar. Pelo menos, no IAENE era assim. Estes monitores têm duas opções: ou babar os preceptores e viver sozinho nos corredores da amargura do dormitório sem nenhum amigo ou fazer média com os preceptores, que não suportam ouvir problemas que poderiam ser resolvidos numa conversa monitor-aluno, e com os alunos. Os que trilham por este segundo caminho, lá na frente, não raro, se tornam queridos e até mesmo são aplaudidos quando citam seu nome, arrancando sorriso também da parte mandante. Os que escolhem o primeiro, no máximo, conseguem manter o cargo até o fim do curso, sendo odiado e vaiado por todo o dormitório.

Mas um monitor, morador do quarto 10, teologando usuário de esteróides, quis burlar o sistema, inventando um novo caminho que consistia em dedurar os residentes sem que estes soubessem, supostamente agradando os preceptores e os alunos. Mas bem sabemos o tamanho das pernas da mentira. A máscara caiu, e Tonga e eu arranjamos um jeito de mandar um recado.

Antes da peripécia, sinto que o assunto “teologando” merece alguns comentários: estes estudantes de teologia, definitivamente, deveriam estar separados, em outro dormitório. Explico. É de uma maldade sem fim, para todos os lados envolvidos, jogá-los na jaula que era aquele internato, povoado por estudantes de sétima série ao terceiro ano do Ensino Médio, fase que geralmente fugimos de conselhos e discursos lotados de clichês – coisas que boa parte dos aspirantes a pastor carrega debaixo do braço, no lugar da Bíblia.

Em outro semestre, aliás, por escolha dos preceptores, fui parar em um quarto com três teologandos, os quais pediram para sair depois de um tempo. Se o motivo foram os gritos do Robert Plant ou do Bruce Dickinson que eu colocava sempre antes de dormir, ainda não sei. Talvez por ser um adolescente imaturo e revoltado (não muito), eu não tinha saco para ouvir aqueles que me julgavam pelo que eu escutava. Curiosamente, mesmo sendo filho de pastor, meus relacionamentos com teologandos no internato nunca foram saudáveis.

Retomando, Tonga e eu éramos do quarto 14, ou seja, bem próximo do dito cujo. O dormitório era (acredito que ainda seja) um quadrado fechado e, do lado de dentro, havia um gramado, onde ficava o varal, a lavanderia, um canteiro e acho que uma ou duas árvores. Obviamente, as portas dos quartos ficavam para dentro e suas janelas, para fora. Então, na madrugada, quando não havia nenhum monitor pelos corredores (geralmente, o plantonista da noite dormia após a 1h da manhã, num quartinho próximo da preceptoria), nos pusemos a pensar no que faríamos.

Abrimos a porta e vimos, no gramado, inúmeras placas de concreto, aquelas de seis lados, utilizadas para pisos de praça. Fria e calmamente, pela madrugada, sem fazer barulho, colocamos nosso plano em ação. Como qualquer adolescente normal, mais me importava ferrar o próximo do que o que aquilo iria me custar. E ao fim, quem sabe, de algumas horas de trabalho braçal, voltamos para o quarto.

Por ser muito tarde, perto do horário do café da manhã, que era servido a partir das 5h30min, chegamos a conclusão de que, para não sermos descobertos por causa do sono – os monitores passavam cedo para chamar para o café e, depois, para o culto, ou seja, se houvesse alguém inacordável, certamente seria o culpado – deveríamos nos manter acordados e ir para o café e para o culto da manhã.

Tudo isto foi recompensado. Aliás, qualquer esforço seria válido para erguer aquelas duas colunas perfeitas até o fim da porta, sem fresta alguma, do quarto 10 e ver o rosto daquele monitor, depois de ter tirado uma a uma para dentro do quarto e depois, para fora – já que, por ser quem era, não poderia simplesmente empurrar aquelas colunas, arriscando machucar alguém do lado de fora. De tão bem colocadas, era impossível enxergar algo de dentro para fora. Se existia um viciado em Tomb Raider naquele quarto, com certeza, procurou por alguma pista no quarto para fazer aquele paredão sumir e sair daquela fase.

Esta arte pode não ter sido a maior do meu tempo de internato, mas abriu as portas para aqueles anos incríveis. Principalmente, por ter sido este acontecimento que me aproximou de outros futuros amigos: a galera do quarto 12…

 

To be continued…