Meu grande talento

Deveria ser crime ser eu. Talvez uma cartilha da ONU orientando ao povo a não ser eu, mesmo sob ameaça de morte, cairia bem. No mínimo, uma multa para aquele que se portasse como tal ou, ainda pior, fosse eu. Quem sabe, assim, eu me esforçaria mais para ser diferente.

Tenho a impressão de que meu cérebro, devido à queda vertiginosa do meu Q.I. nos últimos anos, trabalha em dobro para realizar tarefas básicas. Enquanto alguns se esforçam para fazer cálculos quânticos muito complexos ou tomar uma decisão difícil no trabalho ou entender os filmes de David Lynch, eu devo fazer careta, tamanho esforço cerebral, para saber o que responder quando me dizem “boa noite!”.

Porque não foi a primeira nem a segunda nem a terceira vez que caprichei em ser Fagner, o agora oitavo dan na arte da estupidez. Posso, após esta manhã, ser um instrutor da imbecilidade. Aprendizado garantido.

Hoje, como de costume, acordei com um palavrão à mente. Não me recordo qual e não vou gastar o que me resta de impulso nervoso neste momento. Havia me deitado perto de 1h30, depois de 20 horas acordado – isso não difere muito da rotina semanal, pois acordo às 5h30 e me deito sempre perto da meia-noite.

Levantei-me às pressas, tirei o cobertor com toda força (mania que deixa a esposa muito contente), corri para o banheiro. Escovei os dentes com tanta rapidez e força que podia ver as raízes de toda a minha arcada dentária cerrando os olhinhos por causa da claridade nunca vista. Tomei meu banho e, em 10 minutos, já estava me enxugando e colocando o desodorante. Fui correndo para o quarto.

Excepcionalmente hoje, minha esposa também tinha que acordar muito cedo, pois entraria às 7h no trabalho. Portanto, minha rotineira preocupação em não acordá-la não foi necessária, logo, ela acordou.

– Sabe que horas são, Fá?

Estar em pé há uns 20 minutos e já ter tomado banho não me fizeram pensar numa coisa tão óbvia, principalmente, para quem está se arrumando. Quem se arruma com tanta pressa, certamente sabe o tempo que tem, certo? Não se você for eu.

A pergunta me pegou como uma nota de falecimento de um ente querido. Um curta-metragem (afinal, fazia pouco tempo que estava acordado) me passou pela cabeça e percebi que nem sequer peguei no celular para ver as horas.

“3:17” dizia o celular, que deixou um sorriso escapulir pela sua tela.

Sequei o cabelo, deitei de novo, consumido por dois sentimentos; a felicidade de poder dormir mais duas horas e a depressão por mais uma vez provar meu talento nato.

Interessado em ser uma anta? Envie seu e-mail e aguarde a minha mensagem com o passo a passo.

Obrigado.

Anúncios

5 ideias sobre “Meu grande talento

  1. Raquel Leone

    Nós somos a geração Coca-Cola?! Acho que sim!!! Relaxa WAGNER, é tudo mundo louco mesmo :/

    Resposta

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s